A due diligence costuma aparecer quando um investidor ou comprador pede documentos. Nessa hora, a empresa descobre problemas que uma due diligence preventiva poderia ter tratado com menos pressão.
É por isso que faz sentido usar uma revisão preventiva na gestão. Trata-se de examinar documentos e práticas para identificar riscos, priorizar correções e acompanhar a execução. Não é uma promessa de que todo passivo será encontrado ou eliminado.
Por onde começar?
Antes de pedir uma lista enorme de documentos, defina o objetivo: preparar uma captação, organizar contratações, revisar um setor regulado ou melhorar a governança.
O escopo depende desse objetivo e do porte da operação. Uma empresa pequena não precisa copiar a auditoria de uma multinacional para começar a organizar seus riscos.
Cinco frentes que merecem atenção
Societário: contrato social, decisões, acordos entre sócios, participações e compromissos futuros precisam conversar entre si.
Contratos: confira documentos assinados, entregas, responsabilidades, renovações e condições que já não correspondem à operação.
Equipe: examine a realidade dos vínculos, remuneração, propriedade intelectual e obrigações de confidencialidade. Um título de prestador não resolve uma execução incompatível com o contrato.
Regulação e propriedade intelectual: identifique licenças efetivamente exigidas, registros, titularidade de ativos e obrigações do setor. Nem toda atividade inovadora segue o mesmo regime.
Dados pessoais: verifique quais dados são tratados, por qual finalidade, com quem são compartilhados e como a empresa responde a incidentes. LGPD não é apenas publicar um aviso no site.
O resultado deve virar um plano
Um relatório que fica arquivado não muda o risco da empresa.
Para cada achado, indique consequência possível, evidências, responsável, prazo e providência. Diferencie o que precisa de decisão dos sócios do que pode ser resolvido na rotina.
Acompanhe o fechamento com documentos e mudanças de processo. Não basta marcar uma tarefa como concluída porque foi redigida uma nova política.
Com que frequência fazer a due diligence preventiva?
Não existe uma periodicidade universal de três, seis ou doze meses. Mudança de sócios, contratação relevante, lançamento de produto, nova norma ou entrada em outro mercado pode justificar revisão antes do calendário.
O importante é criar uma cadência proporcional ao risco e às mudanças do negócio.
A due diligence preventiva ajuda a enxergar o que a operação acelerada costuma esconder. O ganho está em transformar esse diagnóstico em decisões, antes que uma negociação importante deixe a empresa sem tempo para escolher.

