Uma negociação de investimento não deve partir apenas da pergunta “quanto o investidor vai colocar?”.
O aporte pode ajudar a empresa a crescer e, ao mesmo tempo, criar compromissos que aparecerão nas próximas rodadas ou na saída. Há seis conversas que eu colocaria na mesa antes de assinar.
1. Valor e destinação dos recursos
Relacione o aporte ao plano de execução, à queima de caixa e ao tempo que a empresa precisa financiar. Defina também quando o dinheiro entrará.
Uma quantia prometida não deve ser tratada como caixa disponível antes de suas condições estarem resolvidas.
2. Valuation e participação
Identifique se a referência é pre-money ou post-money e quais outros instrumentos foram considerados. Simule a participação após a operação e a diluição de todos os envolvidos.
Reserve espaço para incentivos e compromissos futuros de forma transparente. Não faça a conta com bases diferentes entre o material da rodada e o contrato.
3. Participação na governança
Conselho, observação de reuniões e direitos de informação são temas distintos. Sua implementação precisa de poderes, documentos e limites compatíveis com a sociedade.
Um investidor pode ingressar no quadro societário ou permanecer com direitos de um instrumento até sua conversão. Não existe um único papel jurídico para toda captação.
4. Aprovações e vetos
Vetos podem proteger questões relevantes e também dificultar a operação. A análise deve considerar quais matérias são alcançadas, por quanto tempo e com quais exceções.
Evite tanto a aprovação prévia para qualquer decisão cotidiana quanto a rejeição automática de toda proteção solicitada pelo investidor.
5. Condições e etapas do aporte
Due diligence, regularização documental e outras condições podem ser legítimas. O risco aumenta quando os critérios são vagos, o prazo é incerto ou a empresa depende do dinheiro antes de conseguir cumprir a exigência.
Negocie evidências, responsáveis e consequências. Se houver desembolsos por etapas, simule a operação sem presumir que todas serão liberadas.
6. Conversão e saída
Discuta os eventos que transformarão o instrumento e como serão executados. Confira cessão, liquidez, prioridade e tratamento da venda da empresa.
O contrato precisa explicar também o que acontece quando a rodada ou o evento esperado não ocorre.
Como fechar a negociação de investimento?
Captar com segurança envolve negociar o resultado de cada cenário. A pressa para voltar a cuidar do produto não deveria decidir, sozinha, o futuro da participação do fundador.

